Como prometido, aqui estão as outras 50 dicas a serem trabalhadas e estudadas cuidadosamente para se ter um bom resultado após uma boa entrevista. Lembrando que todo o conteúdo foi publicado no site do Curso Abril de Jornalismo. Para ver as 50 primeiras dicas, clique aqui.

51. Prepare um cartão com dez itens de interesse para a matéria e use-o para desviar o rumo da entrevista quando ela está parada num assunto só.

52. Nesse mesmo caso, em vez de insistir com perguntas, tente destravar o entrevistado fazendo-o discorrer sobre tópicos: “Que tal falar da Austrália?”

53. Se o entrevistado continua travado, pergunte outra coisa e volte ao tema mais tarde. Então, refaça a pergunta com outras palavras. Em último caso, telefone depois.

54. Dê discretos sinais de aprovação ao entrevistado. Algumas vezes a fonte precisa disso - mas não se trata, é claro, de concordar com ela. Basta uma observação do tipo “Que interessante”.

55. Decodifique o jargão usado pelo entrevistado. “Ajude-me a encontrar palavras que os leitores possam entender”, pela a ele.

56. Observe as maneiras e tiques do entrevistado. Gestos, trejeitos, modo de falar compõem a descrição do personagem.

57. Pergunte ao entrevistado o que ele estava pensando enquanto fazia isso ou aquilo. Só assim você pode atribuir pensamentos aos personagens de sua matéria. Grandes jornalistas americanos, como Gay Talese e Tom Wolfe, usam essa técnica.

58. É enganador e antiético botar palavras na boca de um entrevistado. Você perguntou ao ator Warren Beatty: “O senhor não acha que chocolate é melhor do que baunilha?”. Ele apenas balançou a cabeça afirmativamente. Isso não quer dizer que você possa escrever: “Eu acho que chocolate é melhor do que baunilha”, diz Warren Beatty. Você só pode relatar que ele balançou a cabeça.

59. Diante de informações reservadas, que o entrevistado tenha soltado sem querer, disfarce sua excitação. Faça uma cara de jogador de pôquer e vá em frente.

60. Às vezes, a pressão do prazo de fechamento funciona como argumento para arrancar respostas rápidas.

61. Ainda mais quando a fonte resiste e você acrescenta o seguinte argumento: “Seu competidor está cooperando muito comigo”.

62. Se a sua matéria mudar de rumo, avise as fontes que vão ficar fora dela.

TRATE PERGUNTAS DELICADAS COM DELICADEZA

63. Deixe essas perguntas do quanto possível para o fim da entrevista. E, se necessário, deixe a porta aberta para declarações em off.

64. Cuidado com perguntas delicadas. Se tiver alguma a fazer, conduza a entrevista de modo que o entrevistado entre no assunto sem ser perguntado diretamente.

65. Ou espere que o entrevistado fale algo que sirva de gancho para você fazer a pergunta sensível.

66. Uma boa saída é deixar “outra pessoa” fazer a pergunta por você: “Seu concorrente afirma que o senhor…”

67. Se faça de bobo e de ingênuo em certas perguntas. Quase sempre sai alguma coisa interessante.

68. Entreviste ex-empregados. Eles costumam ser boas fontes sobre seus antigos empregadores.

MONTE UM KIT ENTREVISTA

69. Não use fitas e gravadores baratos. Recomendo fitas Maxell ou TDK. Não recomendo o uso de fitas que tenham duração superior a 90 minutos. Rompem-se com facilidade.

70. Use gravadores pequenos, mas não os micros, que são muito frágeis. Recomendo o Sony TCM 80 V, de gravação contínua. Custa mais de 200 dólares.

71. Cuidado para não deixar a fita derreter dentro de seu carro estacionado ao sol.

72. Monte um kit de entrevista para carregar com você: gravadores e fitas extras, pilhas, fios de extensão, microfone de lapela, bloco de notas, câmaras, notebook e caneta.

73. Guarde seu material de entrevista num armário ou gaveta por segurança e agilidade. Uma valise ou maleta pode ser usada para guardar seu kit de entrevistas.

74. Deixe tudo pronto, inclusive duplicatas de segurança, para você sair correndo atrás da notícia a qualquer instante.

75. Preveja as condições em que será feita a entrevista e prepare-se. Decida se vai usar microfone embutido ou de lapela. Este é melhor para carros em movimento e nos casos em que há ruídos próximos.

76. Cuidado com entrevistas em carro em movimento, especialmente se você for o motorista. Janela aberta faz barulho. Olhe para a frente, não para o entrevistado.

77. Passe logo a fita a limpo para não perder o clima e as palavras mal pronunciadas.

78. Por precaução, copie a fita de uma entrevista muito importante antes de ouvi-la: você pode cometer algum erro e apagar um trecho.

79. Se o seu entrevistado está apreensivo com o seu gravador, você pode tranqüilizá-lo com estas garantias: “Só estou usando isto para ser 110% preciso” ou “Eu mesmo farei uma cópia da fita para seus arquivos, se desejar”, ou “Eu serei a única pessoa a ouvir”.

80. Anote enquanto grava. Lembre-se de que o gravador grava, mas não vê. Você anota os gestos, caras e movimentos da fonte durante a entrevista, o clima, como é o local etc. E também as informações que você irá usar na abertura da entrevista.

81. Não comece a gravar em qualquer ponto da fita. Parta do início e zere o marcador. Durante a entrevista, anote num papel o número do marcador (o “velocímetro” do gravador) referente às declarações mais quentes para sua matéria. Procurá-las à unha, depois, é muito chato. Essas anotações são também um bom roteiro.

ESTUDE O LOCAL

82. Ao planejar a entrevista, tente pensar no lugar em que ela será realizada e selecione o equipamento adequado.

83. Restaurantes, por exemplo, muitas vezes são barulhentos.

84. Vá antes, estude o ambiente, fale com o garçom.

85. Fuja do ar-condicionado por causa do barulho.

86. Fique num canto discreto, longe do movimento que desvia sua atenção e a do entrevistado.

87. Se puder, faça-o sentar-se voltado para a parede - isso fará com que ele fique concentrado em você, e não cumprimentando conhecidos que chegam.

88. Comece com petiscos para ganhar tempo. Se for possível, zele para que os pratos pedidos não atrapalhem a fala de seu entrevistado. Espaguete é um deles.

ARMADILHAS TELEFÔNICAS

89. As entrevistas feitas pessoalmente dão credibilidade a você. Mas muitas vezes os telefonemas posteriores a essa primeira conversa vão render mais.

90. Crie sua própria “caverna” para entrevistas telefônicas: um lugar confortável, sem ruídos, com bons fones de ouvido.

91. Entrevista por telefone é mais rápida do que a entrevista pessoal, é mais direta, mas você precisa ter mais perguntas à mão.

92. Se você deseja gravar a entrevista telefônica, seja ético. Pergunte ao entrevistado se ele concorda.

93. Tenha prudência ao telefone. Você também pode estar sendo gravado.

94. Ao telefone, senão puder gravar, use a máquina de escrever ou o computador.

95. Não coma ou faça outras coisas durante a entrevista telefônica. Concentre-se. Evite distrações e desvios. O tempo disponível para você se distrair é enorme: o ser humano médio tem a capacidade de compreender 600 palavras por minuto (no caso, o entrevistador), e uma pessoa só fala, em média, 160 por minuto (no caso, o entrevistado).

96. Faça o principal por telefone, mas peça ao entrevistado que indique um auxiliar para tratar de detalhes. Por exemplo, a cor local: como é o gabinete do entrevistado ou que vista ele tem de sua mesa de trabalho.

QUANDO VOCÊ SÓ DEPENDE DA MEMÓRIA

97. O que fazer quando surge uma situação em que não dá para usar gravador nem tomar notas? Trate de anotar enquanto as informações ainda estão quentes em sua memória.

98. Faça as anotações enquanto (e se) a fonte vai ao banheiro.

99. Peça licença, você, para ir ao banheiro e aproveite para rabiscar em seu bloco de notas palavras-chaves que facilitem a reconstituição da entrevista mais tarde.

100. Logo depois da entrevista, dite ao gravador tudo que está em sua memória. Não perca tempo. Faça isso, por exemplo, enquanto dirige o carro de volta à redação.

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